Sobre autoestima saudável

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Sobre autoestima saudável

Segue abaixo o capítulo 1 do livro “O homem e o abismo inconveniente de si mesmo” – diálogos entre ciência e arte.

Você pode adquirir um exemplar do livro por meio deste site.

Segue o capítulo:

a) Sobre autoestima saudável

“De todos os julgamentos que fazemos ao longo da vida, nenhum é tão relevante como o que fazemos sobre nós mesmos, porque esse julgamento é o motor de nossa existência.” – Nathaniel Branden[fusion_builder_container hundred_percent=”yes” overflow=”visible”][fusion_builder_row][fusion_builder_column type=”1_1″ background_position=”left top” background_color=”” border_size=”” border_color=”” border_style=”solid” spacing=”yes” background_image=”” background_repeat=”no-repeat” padding=”” margin_top=”0px” margin_bottom=”0px” class=”” id=”” animation_type=”” animation_speed=”0.3″ animation_direction=”left” hide_on_mobile=”no” center_content=”no” min_height=”none”][1].

 

O conceito teórico de autoestima, de autoconceito e de outros sentimentos

Autoestima no dicionário popular – Autoestima [De aut(o) + estima]. Substantivo feminino. Valorização de si mesmo, amor-próprio. Segundo Ferreira[2], “auto” quer dizer por si mesmo e “estima” é sentimento de valor atribuído a alguém ou valor dado a alguma coisa, apreço, consideração.

Autoestima na Psicologia tradicional – “Autoestima é o grau com as qualidades e características contidas no autoconceito da pessoa que são percebidas como positivas. Ela reflete a autoimagem física de uma pessoa, visão de suas realizações e capacidades e os valores de sucesso percebido em viver à altura delas, bem como as formas como os outros vêem e respondem àquela pessoa. Quanto mais positiva a percepção cumulativa dessas qualidades e características, mais alta é a autoestima da pessoa. Um grau alto ou razoável de autoestima é considerado um ingrediente importante da saúde mental, enquanto baixa autoestima e sentimentos de inutilidade são sintomas depressivos comuns.” – APA[3].

William James: sua vida, o início dos estudos experimentais e sua influência nos estudos da autoestima e do autoconceito – Na modernidade, o primeiro autor a empregar o termo autoestima e a investigar metodicamente o fenômeno foi o pragmático[4] William James (1842-1910).

James demonstrou talentos artísticos precoces e, de início tentou a carreira de pintor, mas seu crescente interesse científico levou-o em 1861 a ingressar na Universidade de Harvard, mas interrompeu seus estudos devido a surtos de mal-estar físico e depressão. Passou por um período em que estudou Filosofia na Universidade de Berlim na Alemanha e voltou a Harvard para estudar Medicina. Profissão de Medicina clínica que nunca exerceu. Já como professor lecionou disciplinas de Psicologia, Filosofia, Fisiologia e Anatomia em Harvard. Criando em 1875, o primeiro laboratório de Psicologia Experimental dos Estados Unidos, mesmo dizendo odiar “trabalho de laboratório”. No entanto, ele fazia parte dos seus trabalhos em laboratório por ter concluído que era o melhor jeito de provar ou refutar uma teoria. Como filósofo, foi responsável por aquela que é considerada a maior contribuição americana à Filosofia: o pragmatismo. James teve papel central na consolidação da Psicologia como disciplina realmente científica, além de ser considerado por muitos como o “pai da Psicologia”.

James tinha uma saúde muito debilitada e passou longos períodos em viagens pela Europa como forma de encontrar paz, sossego e alívio. Tinha problemas de saúde sérios e fases de depressão, pensando em alguns momentos na ideia do suicídio. Essa história de vida lembra muito a biografia do filósofo Nietzsche que também sofreu horrores com dores estomacais, períodos de depressão e outros males de saúde e viajava pela Europa ou estudava outras ciências para descobrir formas de alívio do seu sofrimento. É como se as grandes descobertas nascessem das grandes dores de alguns homens e mulheres da humanidade. James, em sua biografia, afirmou que estudou Psicologia com o objetivo de entender a si mesmo. Aparentemente, é um dos motivos que fazem muitas pessoas enveredarem pela Psicologia ou Psiquiatria.

Os estudos e algumas conclusões de James foram apresentadas em 1890 no texto Princípios de Psicologia, que serviu como referência e influenciou muitos estudos posteriores sobre autoestima, autoconfiança e autocontrole. James[5] dizia que para entendermos o conceito de si era preciso considerar três características de nossa identidade[6] ou personalidade: o “eu empírico”. Que envolveria tudo que se pode considerar como seu (corpo, características psicológicas, casa, roupas, esposa, filhos etc.). A primeira delas e a mais importante: o “eu espiritual”. Esse “eu” é formado por crenças,  regras, autorregras, inclinações pessoais ou traços de personalidade, capacidades intelectuais, sentimentos, desejos, que basicamente envolveria: ‘o que penso, minhas ideias e sensações’. Não é um “eu” transcendental, mas um “eu” carnal. Depois disso, o “eu social”, que é formado pelas virtudes e “defeitos” que os outros (familiares, amigos e pessoas ao redor) observavam em nós, em outras palavras, a reputação perante os outros. Por fim, o “meu” ou “eu material”, formado pela imagem que se tem do corpo, da condição financeira (propriedades, roupas, carros…) e profissional e os filhos. Em todos esses casos, quando perde-se alguma coisa é como se um pedaço desse “eu empírico” fosse junto e por isso fica-se triste ou com raiva. Provavelmente essa teoria influenciou a “Teoria dos domínios pessoais” de Aaron Beck, de 1977.

O conceito de si Domínios Conteúdo dos domínios
“Eu empírico” “Eu espiritual” Características psicológicas
“Eu social” A imagem perante os outros
“Eu material” Tudo que envolve o material

Como James era um pesquisador experimental ele desenvolveu algumas fórmulas e cálculos para prever determinados comportamentos. Para calcular a autoestima de uma pessoa em termos práticos, por exemplo, ele disse que tem que dividir as conquistas pelas aspirações. Se o resultado for igual ou superior a “um”, a autoestima é positiva. Em oposição, se o resultado for inferior a “um”, isso quer dizer que os anseios são maiores que as realizações e, portanto, a autoestima é negativa. Neste sentido, autoestima pode melhorar se aumentar as conquistas ou diminuir as pretensões. É fato que a maioria dos teóricos da autoestima trabalham com essa equação para entender o autoconceito de uma pessoa.

Para James, nem todas as pretensões são importantes e, nesse sentido, abandonar algumas delas gera um alívio e consequentemente uma melhora na autoestima. Segundo o que acredito, a psicoterapia[7] tem um papel muito importante no que diz respeito à diminuição de alguns anseios e à proposta de autoaceitações, por exemplo, não há como aspirar ser sempre jovem ou ser sempre bonito. Inclusive é muito comum aliviar a angústia de um “companheiro de viagem” diminuindo a distância entre os aspectos reais e os ideais. Em outros termos, na sutil fronteira entre realidades e ideais se encontram as verdadeiras possibilidades de satisfação com a própria vida.

Em sua autobiografia, James conta que na juventude desejava ser bonito, forte, atraente, sedutor, filósofo, educado, culto, inventor, erudito, rico, divertido, poeta, monge… Ele concluiu que seria impossível ser tudo isso, até mesmo porque muitas dessas qualidades eram incompatíveis. Segundo ele, o ideal seria eleger algumas qualidades ou papéis e abandonar outros. Ele sempre mencionava: “Há dois tipos de autoestima: a satisfação e o descontentamento consigo mesmo.”

Todos os achados de James foram muito importantes e influenciaram muito as pesquisas futuras sobre o tema. Ainda hoje suas ideias são válidas, no entanto, outras pesquisas conceituais e experimentais trouxeram mais conhecimentos sobre o assunto. A partir daí muitos outros teóricos e pesquisadores estudaram e reformularam o conceito. James deu muitas outras contribuições a Psicologia, ele inverteu, por exemplo, a concepção tradicional de que os sentimentos ocorrem antes das ações e atitudes de uma pessoa. Ele explicou e fundamentou que os sentimentos são produtos de ações. James dizia: “Não canto porque sou feliz, sou feliz porque canto.” Ou ainda: “Para mudar sua vida: 1. Comece imediatamente. 2. Faça isso ostentosamente. 3. Sem exceções”.

Neste livro e para muitos analistas do comportamento, a ideia de James sobre autoestima é chamada ou conhecida como autoconceito.

A Análise do Comportamento, a Psicologia Cognitiva e o autoconceito positivo – Segundo a Análise do Comportamento e a Psicologia Cognitiva[8], autoconceito (também denominado autoavaliação; autoclassificação; autoimagem) é a concepção, avaliação ou percepção que a pessoa tem de si mesma, a ideia que a pessoa faz de si mesma, o que se pensa a respeito de si, incluindo características psicológicas e físicas, qualidades e habilidades. Neste sentido, é uma resposta emocional automática e global de apreço, afeto ou desprezo, repulsa por si mesma a partir do resultado de avaliações e análises conscientes e inconscientes sobre a lista pessoal de valores ou qualidades. Essa autovalorização cognitiva ou emocional baseia-se na interpretação positiva ou negativa das diversas características físicas, cognitivas, interpessoais, morais, relacionadas às habilidades etc., que selecionadas e eleitas como prioritárias e relevantes. O autoconceito contribui para o senso de identidade do indivíduo com o passar do tempo e, por isso, é um constructo útil para prever e explicar determinadas ações.

O autoconceito pode ser positivo ou negativo. O autoconceito positivo tem a ver com o autorreconhecimento, ou seja, reconhecer os próprios valores, qualidades e habilidades de maneira a elaborar uma autoimagem autêntica, verdadeira e positiva de si mesmo, produzindo assim um sentimento de ser amado e querido, de amor a si mesmo. Além disso, está associado aos sentimentos de bem-estar e satisfação. Assim, o autoconceito seria uma espécie de barômetro íntimo, capaz de refletir sentimentos de amor-próprio e de autoaceitação, sendo ele construído com distintos ingredientes.

O autoconceito é formado pela experiência com o ambiente[9] e principalmente como produto do relacionamento com pessoas significativas. Neste sentido, a criança que desenvolve seu autoconceito, não nasce com um conceito predeterminado, apesar de existir uma pré-disposição genética. A capacidade de se julgar surge gradualmente durante a infância e os pais aplicam procedimentos de reforço positivo[10] e punição[11], de acordo com os critérios culturais de sua origem. Aos quatro anos de idade, a criança começa a identificar as expectativas de seus pais e começa a tentar corresponder ao que seus pais esperam. Quando tem êxito, sente-se bem; caso contrário, sente-se inquieta ou triste. Neste sentido, aqueles pequenos que não conseguem realizar aquilo que seus pais estabelecem por ser algo pouco realista, não questionam o que seus pais estabelecem, mas culpam a si mesmos, sentem-se inferiorizados, fracassados e se autorrejeitam. Segundo recentes pesquisas, o autoconceito vai se tornando cada vez mais abstrato entre cinco e seis anos de idade, e aos oito anos a criança já pode ter um senso global do próprio valor. O autoconceito se torna cada vez mais específico e diferenciado à medida que a idade avança.

De alguma maneira, o indivíduo se comporta de acordo com sua percepção de si e, ao mesmo tempo, seus comportamentos mantêm o seu autoconceito. Pensando assim, o autoconceito de uma pessoa influencia a escolha de amizades, a escolha do tipo de parceiro amoroso, a produtividade intelectual na escola e no trabalho…

Portanto, o autoconceito positivo é a autovalorização positiva que se fundamenta em traços da personalidade – como a capacidade de amar – e se manifesta em iniciativas e comportamentos éticos ou justos e em condutas construtivas e socialmente satisfatórias.  Está também diretamente relacionado ao equilíbrio emocional de uma pessoa no sentido de adaptá-la a uma vida saudável.

Noção do “eu” calculada: autoconceito – “Sou o intervalo entre o que eu gostaria de ser e o que as pessoas me fizeram.” – Fernando Pessoa[12].

Diferenças conceituais – Neste livro, para uma melhor compreensão dos conceitos é necessário fazer algumas distinções. Para isso, vale ressaltar que “autoconceito” e “autoimagem” são sinônimos e estão relacionados à avaliação global resultante de todas as avaliações isoladas de habilidades pessoais mais marcantes em diferentes áreas. São, portanto, conceitos mais globais e gerais sobre a pessoa. Já os sentimentos de “autoestima”, “autoconfiança” e “autocontrole” são constituintes mais importantes do autoconceito, sendo entendidos como o processo de avaliação que o indivíduo faz das suas qualidades ou dos seus desempenhos. Eles são sentimentos relacionados a determinados repertórios e percepções, a determinadas habilidades pessoais. São, portanto, mais específicos.

A “autoconfiança” (“autoeficácia” ou senso de competência) é um sentimento relacionado especificamente a repertórios de competência desenvolvidos por uma história de bom desempenho; ela se refere exclusivamente à autopercepção – avaliação do indivíduo enquanto eficaz e confiante em sua capacidade para enfrentar o meio ambiente. Além disso, a autoconfiança é condicional porque parte do pressuposto da aceitação social está vinculada, por exemplo, a ter um bom trabalho, status, alta capacidade cognitiva, sucesso profissional, bens materiais… Um dos riscos envolvidos nesse esquema de aceitação condicional é que a pessoa fique mais suscetível a deprimir quando perde seu emprego ou o seu status entre amigos. Além disso, basear toda a vida em sentimentos de autoconfiança envolve a necessidade de realização de conquistas constantes para se sentir valorizada, o que causa estresse intenso e sentimentos de vazio. Infelizmente, a nossa sociedade privilegia mais as pessoas com autoconfiança do que com autoestima.

Em contrapartida, “autoestima” é um sentimento relacionado ao amor-próprio e produzido por uma história de “afeto incondicional”, ou seja, independente do desempenho da pessoa. Portanto, autoestima é incondicional porque parte do pressuposto da aceitação de si incondicionalmente.

Autocontrole, na Análise do Comportamento, é um termo emprestado do vocabulário coloquial. É o nome dado, grosso modo, a um responder que se encontra mais sob o controle de consequências atrasadas do que de consequências imediatas. O oposto de autocontrole é denominado impulsividade.

Logo, o “autoconceito” ou “autoimagem” envolve a avaliação global resultante de avaliações específicas de “autoestima”, “autoconfiança” e “autocontrole”. Portanto, o “autoconceito positivo” envolve o bom desempenho social, físico, emocional e cognitivo.

Segue abaixo uma tabela para ilustrar melhor tais conceituações:

Sentimentos

constituintes do autoconceito global

Características, qualidades, valores ou repertórios Alguns exemplos de pensamentos, regras e autorregras relacionadas a autoconceitos positivos
Autoconceito global positivo Autoconfiança, competência ou autoeficácia (Sou competente ou apto(a)) Competência cognitiva,

status intelectual, tomada de decisão e/ou resolução de problemas

“Sou um(a) bom (boa) aluno(a)”; “Resolvo bem os problemas do trabalho”; “Falo bem francês”; “Eu sou esperto(a)”; “Eu tomo decisões”; “Eu sou inteligente”…
Competência atlética “Consigo correr 10 km”; “Sei nadar vários estilos”; “Consigo ‘sacar’ com muita força”; “Sou forte”…
Comunicação ou competência verbal “Sou comunicativo(a)”; “Sou divertido(a)”; “Sou convincente”; “Consigo falar bem diante da sala”; “Sou extrovertido(a)”…
Otimismo “Sei que vai dar certo”; “Um dia encontrarei um homem com valores”…
Iniciativa “Sou criativo(a)”; “Sou inspirado(a)”; “Sempre tenho iniciativas”; “Sou pró- ativo(a)”…
Repertório social:

receptividade e atitude

social

“Gosto de interagir e unir pessoas”; “Tenho facilidade para iniciar e manter conversas agradáveis”…
Autoestima

(Sou amparado(a), amado(a) e me aceito do jeito que sou)

Aceitação estética “Aceito o meu corpo do jeito que é”;; “Eu sou bonito(a) apesar de não fazer parte do padrão de beleza”; “Eu tenho um rosto agradável”…
Aceitação social ou entre pares “Sou descontraído(a)”; “As pessoas gostam de mim”; “Sou amigo(a)”; “Sou importante para as pessoas”; “As pessoas confiam em mim”; “Consigo confiar nos outros”; “Deixo-me ser um pouco controlado(a) pelos outros”; “Sou conectado(a) às pessoas”; “Sou digno de amor”; “Sou interessante”…
Afetividade ou empatia “Gosto de ajudar”; “Tenho facilidade para me colocar no lugar dos outros”; “Eu presto atenção no que as pessoas falam comigo”; “Sou carinhoso(a) com os outros”…
Aceitação dos pais “Meus pais me criticavam apenas quando eu precisava”; “Eu gosto dos meus pais e eles gostam de mim.”; “Sei que meus pais não são perfeitos e os aceito assim”; “Meus pais me davam carinho independente do meu desempenho”…
Aceitação da sexualidade e do gênero “Eu aceito a minha orientação sexual”; “Sou feliz sendo mulher”…
Valores espirituais e religiosos “Sei que Deus está comigo”; “Meu Deus não me produz culpa porque ele é amoroso e apenas me ensina”; “Deus é amar, é amor”…
Autocontrole saudável

 (Tenho controle sobre mim sem excessos)

Responsabilidade e disciplina “Sou organizado(a)”; “Sou responsável”;

“Sou esforçado(a)”; “Eu me responsabilizo por aquilo que realizo”; “Eu evito beber muito para não ficar de ressaca”; “Faço prevenção ou tratamento odontológico regularmente” …

Tolerância à frustração “Eu nem sempre quero do meu jeito”; “Eu sou paciente e luto para conseguir o que quero”; “Sei que fracassar de vez em quando faz parte da vida”; “Consigo lidar com doenças sem desesperar”; “Consigo lidar facilmente com críticas”…
Conduta moral, ética[13] e participação em grupo social “Sou correto(a)”; “Valorizo comportamentos que respeitam o grupo”; “Nem sempre posso fazer aquilo que quero porque posso desrespeitar o espaço do outro”; “Sou uma pessoa boa”; “Eu evito ostentar aquilo que tenho”; “Eu não preciso receber tanta admiração ou reconhecimento”…
Estabilidade emocional “Consigo me manter calma quando fico de TPM”; “Não entro na ansiedade alheia”; “Tento sempre usar a razão em situações conflituosas”; “Consigo evitar agredir física ou verbalmente as pessoas”…

A influência do ambiente e da genética na expressão do comportamento

Quando a genética influencia muito – A área da “Genética do comportamento” estuda a combinação de procedimentos genéticos e da psicologia experimental para compreender as heranças relacionadas às características comportamentais oriundas de pais biológicos para seus filhos. Essas características podem envolver: capacidade cognitiva, estabilidade emocional, tolerância à frustração, tendência à agressividade, autoestima…). Na Universidade de Texas, por exemplo, foi realizada uma pesquisa extensa de “Genética do comportamento” acompanhando 700 crianças adotadas na infância e foi descoberto que elas se comportavam mais de acordo com seus pais biológicos do que com seus pais adotivos.

Um caso bastante raro de influência radical genética envolve os irmãos biológicos Jim Springer e Jim Lewis. Eles eram gêmeos idênticos que foram adotados desde o berçário por famílias diferentes. Eles passaram a vida inteira longe um do outro, mas apesar disso tinham muitos repertórios comportamentais parecidos. Fatos curiosos foram descobertos como o fato de se casarem com mulheres (dois casamentos cada) com o mesmo nome e foram alcunhados os mesmos nomes aos filhos e aos animais de estimação.

Quando a genética influencia pouco – Há um caso bastante interessante das irmãs iranianas: as gêmeas siamesas Laleh e Ladan Bijani. Elas se tornaram notícia no mundo todo em 2003. Apesar de terem os mesmos genes e terem vivido literalmente juntas, grudadas a vida inteira, elas tinham interesses, opiniões e repertórios comportamentais distintos. Uma era mais introvertida, gostava de jogar vídeo game e queria estudar Jornalismo. A outra era extrovertida, gostava de informática e queria estudar Direito.

Ambiente e genes como irmãos inseparáveis – Os genes dependem do ambiente e o ambiente depende dos genes, ou seja, é uma relação de codependência que produz uma característica (morfológica ou comportamental). Analogamente, é como se os ingredientes de um bolo fossem os genes e os utensílios da cozinha – liquidificador, forma, forno etc. – fossem o ambiente para produzir um bolo. Neste sentido, a antiga dicotomia, separação entre genes e ambiente, é tola. É tão estranha como ouvir a música de um concerto e discutir se vem do violinista ou do violino. Portanto, comportamentos e sentimentos são frutos de uma história genética e ambiental codependente.

A Análise do Comportamento e a genética – Segundo Garry Martin e Joseph Pear[14], os analistas do comportamento de forma alguma negam a importância da genética sobre a determinação do comportamento humano. Na realidade, a explicação do comportamento humano passa pela ideia de multideterminação, o homem é determinado por três pilares: filogênese[15] (história genética), ontogênese[16] (história de contingências) e cultura (história de contingências culturais). Provavelmente os autores que tecem tal crítica aos analistas do comportamento estão mais atentos aos comentários feitos por John B. Watson[17]. Watson estava insatisfeito com a Psicologia introspectiva, filosófica e motivacional de sua época, então argumentou que o único objeto correto da Psicologia era o comportamento objetivo e observável. Ele também defendia uma forma radical de “ambientalismo”. Para Watson, qualquer comportamento era como se fosse uma massa de modelar. Era preciso apenas pressioná-la da maneira correta e teria o comportamento que quisesse. Em “Behaviorimo”, de 1924, ele entrou para a história da ciência ao dizer que se tivesse uma dúzia de bebês recém-nascidos poderia transformá-los aleatoriamente de maneiras diferentes até que um se tornasse artista, outro comerciante, outro psicólogo, outro advogado, outro engenheiro e assim por diante. Independente de aptidões, talentos, tendências, habilidades, vocações… Seria a ideia máxima de que todo comportamento pode ser aprendido. Seria possível controlar e modificar quase todos os aspectos do comportamento humano, por mais complexos que fossem. Devido a tal ênfase no ambiente, os behavioristas são frequentemente acusados de negarem a importância da genética na determinação do comportamento.

Segundo ainda Martin e Pear, Skinner chamou a atenção para a importância da genética do comportamento no estudo da extensão em que as disposições comportamentais são herdadas. Tanto que existem sólidas evidências de que certos tipos de temperamento e padrões comportamentais relativamente estáveis estão presentes desde o nascimento. Skinner considerava que, para o entendimento da variação e seleção do repertório comportamental de um organismo, era importante que se atentasse também para o nível filogenético de análise. Para comprovar isso, há uma apreciação da importância da genética, por parte dos analistas do comportamento, em publicações referentes à genética comportamental. Centenas de estudos já apontaram que comportamentos como impulsividade e capacidade de memorizar, por exemplo, podem ser afetados por fatores genéticos. Há inúmeros artigos, por exemplo, sobre estresse cardiovascular e genética; obesidade infantil e genética; fumo e genética; alcoolismo e genética…

Em relação ao alcoolismo e genética muito estudos revelam que os especificam como seu corpo aceita e regula certas substâncias químicas e por isso como pode predispor à dependência química. A dopamina é o neurotransmissor relacionado à sensação de prazer e satisfação. Algumas pessoas quando tomam bebidas alcoólicas ficam mais sensíveis a dopamina (genética específica) aumentando a probabilidade de se viciarem mais facilmente com a bebida.

Influências físicas – Todas as características físicas herdadas podem influenciar na forma como as pessoas ao redor tratam outras influenciando estas desde o nascimento. Certos ciclos viciosos podem se estabelecer e criar armadilhas ou paradigmas. Pesquisa realizada no Centro de Genética Humana da Fundação Wellcome Trust demonstrou que mutações em determinado gene do cromossomo 7 podem fazer desenvolver uma dificuldade na linguagem. Uma criança com essa dificuldade pode crescer calada, envergonhada, ridicularizada e inassertiva em relação aos outros, o que contribuirá para um rebaixamento da autoestima. Uma criança com uma beleza herdada e valorizada socialmente, por exemplo, pode se desenvolver mais vaidosa, narcisista (autoestima prejudicada) e investir cada vez mais em aspectos ligados à estética para continuar sendo admirada fisicamente e por isso deixar de investir em seu desenvolvimento cognitivo e emocional. É aquela pessoa adulta de difícil convivência e baixa maturidade emocional. Em oposição, uma garota com uma forte pré-disposição genética ao sobrepeso pode desenvolver habilidades sociais e afetivas, para compensar um corpo fora do padrão estabelecido socialmente, e se destacar perante às pessoas e desenvolver uma autoestima saudável.

Sobreposição: a importância do ambiente em que o indivíduo vive – Entre os vários estudos existentes sobre o impacto genético na autoestima encontra-se o famoso trabalho[18] do professor e pesquisador Kenneth S. Kendler[19]. Ele e um grupo de pesquisadores investigaram metodicamente por volta de quatro mil pares de gêmeos, pessoas de 22 a 60 anos. Segundo esses estudos, mais ou menos 30% da autoestima estava determinada pela carga genética. Isso quer dizer que apesar da genética influenciar a autoestima, uma pessoa com uma carga genética negativa para a autoestima pode ter uma vida saborosa, alegre, saudável quando inserida em um ambiente afetivo, favorável. Em outras palavras, a expressão gênica só ocorre a partir de um gatilho ambiental. Apesar de saber que todo comportamento é fruto da genética e do ambiente, a cultura e o ambiente durante a vida de um indivíduo se transformam ou evoluem rapidamente e produzem mais transformações do que as transformações produzidas pelas suas bases genéticas. Neste sentido, as características inatas devem ser vistas como “tendências”, que podem ser acentuadas ou diminuídas pela experiência. Nos últimos 60 anos, a Análise do Comportamento tem ensinado muito sobre como o ambiente influencia o comportamento. Uma boa educação familiar, escolar, profissional e psicoterapêutica, as influências de pessoas-chave e de experiências premeditadas para o cultivo de comportamentos adaptativos socialmente, por exemplo, estão fundadas na estimulação do indivíduo, na valorização de seu ambiente, o que desenvolve adultos mais fortalecidos para lidar com as adversidades da vida.

Autoestima dos homens e das mulheres – Segundo algumas fontes, o índice de autoestima dos homens é superior ao das mulheres. Provavelmente isso acontece porque existem diferenças culturais, biológicas e entre gêneros: história de discriminação em relação às mulheres, importância excessiva que as mulheres dão aos aspectos físicos, hormônios e genética…

A valorização dos memes sobre os genes – “Quando morremos, existem duas coisas que podemos deixar depois de nós: genes e memes. Nós fomos construídos como máquinas de genes, criados para passar adiante nossos genes. Mas, esse aspecto nosso estará esquecido em três gerações. O seu filho, ou mesmo seu neto, pode apresentar alguma semelhança com você, em traços faciais talvez, no talento para a música, na cor dos cabelos. Mas, a cada geração que passa, a contribuição dos seus genes é cortada pela metade. Não demora muito até que chegue a proporções negligenciáveis. (…) Mas, se você contribuir para a cultura mundial, se tiver uma boa ideia, compor uma melodia, inventar um artefato tecnológico, escrever um poema, isso poderá prosseguir vivendo, incólume, até muito tempo depois que seus genes tiverem se dissolvido no reservatório comum. Sócrates pode ou não ter um ou dois genes hoje ainda vivos no mundo, mas quem se importa? Os feixes de memes de Sócrates, Leonardo, Copérnico e Marconi continuam vigorosamente ativos.” – Richard Dawkins[20].

Autoestima saudável entre montanhas e vales

Nem muita e nem pouca autoestima – “Aqueles que se colocam nos cumes mais altos ficam expostos a serem carbonizados pelos raios das tormentas, e aqueles que descem até os mais fundos precipícios se arriscam a desaparecer no abismo.” – Lucrécio[21].

Medição e constatação da oscilação da autoestima – Autoestima é como a cotação da bolsa de valores ou como um termômetro que mede a sua temperatura. Ela é algo difícil de identificar e analisar porque é “móvel”. Depende do passado, das experiências já vividas, mas também daquilo que está ocorrendo. Acontecem demonstrações de carinho e afeto, por exemplo, e a autoestima sobe. Podem acontecer perdas materiais ou afetivas, assim como ocorrer críticas e a autoestima cair, o que pode ser potencializado de acordo com a história de vida, a história de contingências do indivíduo. Neste sentido, a autoestima não é constante e depende de combinações que acontecem durante a vida à sua volta, em seu ambiente, em curto, médio e longo prazo. Todavia, como um camaleão que muda de cor e não de pele, a autoestima pode oscilar durante a vida, influenciada pelas circunstâncias e escolhas, mas sempre tendo uma linha de base referencial na sua estrutura básica.

Altos e baixos, mas a procura de si –

“Nada a temer senão o correr da luta, nada a fazer senão esquecer o medo

Abrir o peito a força, numa procura e fugir às armadilhas da mata escura…” – Milton Nascimento[22].

  1. Quais são os benefícios e a importância da autoestima saudável?
  2. Sistema de proteção – A autoestima não precisa estar elevada o tempo todo, o importante é que se mantenha estável após eventos adversos a médio prazo. Isto quer dizer que uma autoestima saudável não assegura que a pessoa não tenha problemas emocionais e físicos, entre eles: tristeza, depressão, estresse pós traumático, somatização… Todavia ajuda na recuperação mais rápida e deixa poucas sequelas emocionais a médio prazo. É fato que uma avaliação positiva e adequada de si mesmo age como um sistema imunizante da alma, garantindo resistência e capacidade de recuperação. Portanto, a autoestima saudável é um sentimento essencial para a sobrevivência física e psicológica do indivíduo.
  3. Importância da autoestima – “A autoestima é algo vital e deve ser adquirida para gostarmos do mundo.” – Anônimo.
  4. Aumento da criatividade e iniciativa – Uma pessoa com uma história que produziu autoestima tem mais iniciativas, além de ser mais criativa. Ou seja, ela apresenta maior variabilidade comportamental, o que lhe proporciona maior número de reforços sociais positivos (atenção, carinho, reconhecimento etc.). Em oposição, um indivíduo com baixa autoestima varia pouco, não muda a abordagem de seus comportamentos no sentido de produzir reforçadores[23] positivos a si mesmo e evitar aversivos. Em geral, acaba se comportando somente de maneira que agrade a pessoa da qual depende afetivamente ou de pessoas controladoras coercitivas.
  5. A melhor amiga – “Quando você amadurece e desenvolve a autoestima, descobre que é a sua melhor companhia.” – Ruth Escobar[24].
  6. Autoestima como excelência – Uma pessoa com autoestima saudável sabe lidar com as adversidades da vida, tem[25], é mais criativa no trabalho, vive relações saudáveis, trata os outros com respeito, benevolência e boa vontade, tem alegria pelo simples fato de ser e de viver.
  7. A maior alegria – “A maior alegria da vida é a convicção de sermos amados – amados por nós mesmos, ou melhor, amados apesar de nós mesmos. – Victor Hugo[26].
  8. O verdadeiro poderoso – A autoestima está associada a sentir-se amado. O indivíduo pode receber a estima das outras pessoas de maneira mais livre, sem preocupação exagerada por aprovação e reconhecimento de seus atos. Está relacionada à capacidade de respeitar, confiar, gostar de si mesmo. Envolve também aceitar a sua história e realidade pessoal com qualidades e defeitos. A pessoa com boa autoestima é capaz de reconhecer seus próprios valores, pode observar os comportamentos que trazem maior satisfação e interagir com outras pessoas de maneira menos dependente, ou seja, sem esperar por constante aprovação. Neste sentido, ela pode avaliar adequadamente os elogios e críticas que lhe são feitos já que, conhecendo-se e estimando-se pelo que é, pode aceitar a opinião dos outros a seu respeito com tranquilidade, sem inflar-se com os elogios ou entristecer-se com as críticas.
  9. Resiliência – “Nem sempre indivíduos com a autoestima elevada conseguem sucesso nos seus empreendimentos. Mas suas derrotas, por mais graves que sejam, são fato exterior a eles próprios.” – Nathaniel Branden.
  10. Duas visões – O pensamento de duas mulheres quando ganham flores:
  11. Maria Baixestima: “Ele me traz flores porque me acha certinha e não porque gosta de mim. Ou seja, eu tenho que ser perfeita para ele gostar de mim. Além disso, eu só tenho uma razão: fazer por ele. Isto porque não sou merecedora de ganhar alguma coisa dele”.
  12. Joaquina Altestima: “Ele trouxe flores porque gosta de mim. Eu não preciso ser perfeita para ele me amar. Ele me ama do jeito que sou”.
  13. Armadura humana – “A autoestima é a aceitação incondicional de si mesmo, sem juízo destrutivo algum, e que permite optar pelos sentimentos mais humanos, amigáveis e confortáveis, constrói a si mesmo e ajuda a suportar exitosamente qualquer circunstância.” – Kubli[27].
  14. A importância de desenvolver a autoestima – Ninguém nasce pronto, o ser humano não nasce bom ou mau, todavia, a forma como a pessoa é tratada faz ela acreditar em uma imagem de si. Uma pessoa ridicularizada, criticada, rejeitada vai passar a se ver inferior aos outros. Pode ainda se tornar pessimista, crítica, queixosa, agressiva. Em contrapartida, a pessoa que é amada e valorizada sem exageros cresce com uma imagem saudável de si, fazendo com que enfrente os desafios com mais segurança. Expressando espontaneidade e afetividade nos relacionamentos.
  15. Prioridade – “Se a medida do amor aos outros deve ser a medida do amor que tenho por mim mesmo, como poderei amá-los sem amar-me?” – Anônimo.
  16. Autoestima saudável leva à responsabilidade pessoal – Em geral, o indivíduo que se ama sem exageros assume as consequências por seus atos e decisões. Assim, não culpa os outros quando acontece um insucesso…
  17. Caminhos promissores – Pessoas com uma autoestima saudável se dedicam mais a atividades que dão certo. Imaginam e se visualizam superando as dificuldades. Quando falham diante de uma situação nova, não perdem o entusiasmo e nem a motivação para tentarem novamente. São mais persistentes ou desistem menos diante das adversidades, enquanto pessoas com baixa autoestima sentem-se desapontadas e evitam o mesmo evento posteriormente.
  18. Fato – A autoestima é um dos termômetros mais seguros em relação ao estresse psicossocial. Pesquisas atuais têm mostrado que a autoestima não é um mero previsor do funcionamento social futuro, mas age como mediadora e moderadora na adaptação entre as emoções e comportamentos.
  19. Sucesso social e afetivo – Diversos estudos chegaram à conclusão de que indivíduos donos de autoestima saudável costumam obter sucesso em seu meio social, exercendo atração sobre as outras pessoas e conquistando bons amigos.
  20. Autoestima e controle Quem tem uma autoestima saudável frequentemente tem a sensação de que controla o curso de sua vida, dirige seu destino, manda em suas decisões e governa seu dia a dia. Além disso, a pessoa sente-se segura mesmo quando se vê impotente ou incapaz de controlar a situação.
  21. Autoestima e sensibilidade – Tanto a pessoa com baixa autoestima quanto a vaidosa são muito sensíveis a críticas. Em oposição, uma pessoa com autoestima saudável aprende mais facilmente com seus próprios erros.
  22. Autoestima saudável e dor – O veneno da dor crônica e aguda é mais atenuado naquelas pessoas que desfrutam de uma autoestima saudável.
  23. Sequência certa – “Porque pro amor dar certo na primeira pessoa do plural,
    primeiro é preciso aprender a amar a primeira pessoa do singular.”
    – Karla Tabalipa.
  24. Como saber se tenho uma autoestima saudável?
  25. O sentimento como produto de uma história de vida e a auto-observação – Segundo Skinner[28], “a cultura louva e recompensa os seus membros que fazem coisas úteis ou interessantes. No processo, o comportamento é positivamente reforçado e são geradas condições corporais que são observadas pela pessoa cujo eu é observado e valorizado.”. Desse modo, o sentimento pode ser entendido como o resultado da interação entre uma pessoa e o ambiente onde está inserida. É investigando a história de vida da pessoa (história de contingências) que se identifica o que a faz sentir e pensar.
  26. Partindo do princípio acima, uma história de reforçadores positivos (carinho, atenção, afago, reconhecimento, elogio…) gera sensações agradáveis. Em oposição, uma história de vida fundada em críticas e punições gera sentimentos adversos e diminui ou suprime alguns repertórios comportamentais. É o caso do menino que é muito criticado pela mãe perante os amigos, o que desenvolve uma ansiedade social e suprime seu repertório social[29] ou de enfrentamento. Neste sentido, observa-se que a pessoa que é reconhecida, estimada e valorizada sente-se amada, enquanto aquela que é punida e criticada em demasia sente-se inferior. Portanto, para identificar uma boa ou baixa autoestima é importante investigar o ambiente e como foi a interação entre esse ambiente e a pessoa.
  27. Indicadores – A avaliação sobre a autoestima é sempre muito difícil porque está sujeita a distorções. Isso acontece principalmente porque as pessoas, em geral, estão acometidas, em maior ou menor medida, do desejo de serem protagonistas, ou seja, elas querem se autoavaliar positivamente independentemente se a interpretação que fazem de si mesmas é correta. Neste caso, uma avaliação profissional elimina algumas variáveis que comprometem a autoavaliação. De toda maneira, vale descrever alguns itens de uma pessoa com autoestima saudável:
  28. a) Saúde – Quem se ama cuida mais do próprio corpo, por isso, não exagera no comer e beber, cultiva uma vida sexual equilibrada e responsável, cuida bem de sua saúde, pratica atividades físicas e cultiva o contato com a natureza. Além disso, dá ao corpo e à mente o repouso necessário.
  29. b) Relacionamento e repertório social – A forma como nos relacionamos afetiva, social e profissionalmente também revela a nossa autoestima. A forma como enfrentamos circunstâncias constrangedoras, reagimos a críticas, ao esquecimento ou à rejeição oferece indícios a respeito de nossa autoestima. Observa-se que quem tem baixa autoestima, em geral, se comporta em dois extremos: ou se submete em demasia no relacionamento, ou tenta controlar coercitivamente os outros. Isso implica alimentar-se de migalhas afetivas. Além disso, uma pessoa com baixa autoestima é muito crítica, se desvaloriza, é insegura e tem dificuldades de tomar decisões no campo afetivo, teme a opinião alheia caso seus supostos pontos fracos sejam descobertos. Como está perdida, ou melhor, como não se valoriza e não sabe o que escolher, desenvolve afinidades por pessoas mais sedutoras. Em oposição a isso, quem se ama é mais feliz e vai ao encontro dos outros com facilidade, está sempre pronto a receber e dar amor, convive bem consigo mesmo e com os outros, é autêntico e sincero, conversa mais com pessoas experientes para aprender, perdoa a si mesmo e aos outros, tem consciência que sentimentos negativos prejudicam sua vida física, psíquica e Geralmente a pessoa com autoestima saudável também tem mais facilidade para fazer boas escolhas no campo sentimental.

c) Vida ao presente – A pessoa com autoestima saudável vive mais o presente, liberta-se mais do passado e não antecipa tanto o futuro.

d) Aceitação e valorização – Uma pessoa com baixa autoestima sente-se eternamente culpada e fracassada. As emoções de vergonha e culpa estão relacionadas a situações e emoções em que se perde o valor perante aos outros, ou ainda, situações nas quais não se sente merecedora de aprovação dos outros e, por isso, tende a se sentir rejeitada. A culpa ou vergonha, em outras palavras, debilita. Já a pessoa com uma autoestima saudável percebe que o segredo da própria felicidade está em aceitar-se e a valorizar-se, distribuindo as responsabilidades e as culpas depois de uma boa análise da situação. Além disso, ela é capaz de reconhecer e atender suas necessidades físicas, emocionais, mentais e espirituais.

e) Autoconfiança – Uma pessoa com autoestima saudável tem mais chances de desenvolver habilidades e repertórios e, assim, se tornar confiante, determinada e segura, ter bom contato com a realidade, o que a favorece ainda ter: a) boa aptidão para se relacionar; b) competência nos estudos e êxito no trabalho; c) talento para atividades artísticas, recreativas; d) habilidade ou repertório no desempenho dos papéis sociais como mãe, pai, marido, esposa, filho(a) etc.; e) assertividade, isto é, expressar abertamente, suas emoções e não se fazer de vítima, saber dizer “sim” e “não” na hora certa.

Apesar de ter potencial para desenvolver diversos repertórios, essa pessoa tem consciência que não é um(a) super-herói e, por isso, sabe lidar com fracassos e seleciona as atividades que pode se desempenhar bem, tendo consciência de que nunca poderá ser boa em tudo.

f) Autoconhecimento e conhecimento sobre o Mundo – Quem se ama cuida bem de sua vida psíquica, procura aceitar sua realidade, conhece-se melhor e supera-se, procura ler bons livros e seleciona melhor seus programas de rádio e TV… Além disso, não perde a oportunidade de participar de cursos de formação humana.

g) Resiliência – Situações de crise e fracasso com pessoas com baixa autoestima são propícias para o desencadeamento de ansiedades e depressões. Centrado no próprio sofrimento, o indivíduo irrita-se com as próprias dificuldades, repete incessantemente pensamentos depreciativos, concentra-se em si mesmo, esquecendo o universo ao redor e estabelecendo um círculo vicioso. Em oposição a isso, pessoas com autoestima saudável não se abatem tanto com eventuais fracassos ou julgamentos alheios, ou seja, mantêm mais facilmente a estabilidade emocional ao enfrentarem adversidades. O fato delas terem uma relação satisfatória com elas próprias aparece associado à relativa ausência de monólogos interiores autocentrados, que paralisam o desenvolvimento emocional. Neste sentido, quando é possível olhar para o mundo e realmente se interessar pelo que está fora, fica mais fácil suportar as próprias dificuldades. A autoestima estável é como um motor que cumpre sua função de maneira silenciosa: facilita o vínculo com o mundo externo e o faz de maneira menos assustadora. Dessa forma, quando a pessoa cai em sofrimento, consegue se erguer com mais tranquilidade e rapidez.

h) Baixa autoafirmação – Pessoas com baixa autoestima sentem mais necessidade de se autoafirmarem. Entre as autoafirmações mais comuns, está a mentira. Diversas pesquisas espalhadas pelo mundo revelam uma correlação muito forte entre mentira e baixa autoestima. Provavelmente essas pessoas mentem muito porque sentem medo de mostrarem quem são e de se sentirem inferiores aos padrões estabelecidos. Os indivíduos dotados de uma autoestima saudável estão longe de serem mentirosos compulsivos, em oposição, são mais sensatos e íntegros.

A Matemática do autoconceito – O autoconceito de um indivíduo envolve o produto de duas avaliações internas. Primeiro, todo indivíduo experimenta algum grau de discrepância entre o que ele gostaria de ser (o “eu ideal”) e o que ele acha que é (o “eu real”). Quando esse intervalo é pequeno, o autoconceito do indivíduo é alto. Quando o intervalo é grande, o indivíduo se vê como fracassado, como menor em relação aos seus objetivos e valores. Os valores e objetivos não são os mesmos para os indivíduos. Alguns valorizam em demasia as competências profissionais ou acadêmicas, outros valorizam as habilidades esportivas, enquanto outros dão preferência aos amigos. Em outras palavras, o autoconceito é a diferença entre o que a pessoa deseja e o que ela realizou. Portanto, fazer amizades, ter bom desempenho na escola, cantar, não elevará o autoconceito a menos que a pessoa valorize essas habilidades.

Autoestima e sabedoria – “Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E então, pude relaxar. Hoje sei que isso tem nome… Autoestima.

Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades. Hoje sei que isso é…Autenticidade.

Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de… Amadurecimento.

Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo. Hoje sei que o nome disso é… Respeito.

Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável… Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama… Amor-próprio.

Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro. Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo. Hoje sei que isso é… Simplicidade.

Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes. Hoje descobri a… Humildade.

Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é… Plenitude.

Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.

Tudo isso é… Saber viver !!!”Charles Chaplin[30].

  1. A jovem fora do padrão estético e sua autoestima e desenvoltura[31] No filme “Hairspray – Em Busca da Fama” a história ocorre em 1962, em que o sonho de todos os adolescentes da época, em Baltimore, era aparecer no “The Corny Collins Show”, um famoso programa de dança da televisão. A jovem Tracy Turnblad, uma garota amorosa e com uma autoestima saudável, tem só uma paixão na vida: dançar. Mesmo sendo um tanto gordinha para os padrões locais, ela impressiona os juízes com seu modo de se comportar e sua graciosidade e ganha um espaço na atração. O seu sucesso acaba ameaçando a hegemonia de Amber von Tussle, uma jovem bastante vaidosa e de difícil convivência, e a disputa entre elas torna-se mais acirrada quando as duas jovens se interessam pelo mesmo rapaz, Link Lark. Ao mesmo tempo em que Tracy e Amber disputam o título de Miss Hairspray, os conceitos de Tracy mudam quando ela descobre o preconceito racial – e resolve usar a sua fama para lutar em nome da integração. Este filme é baseado no premiado musical da Broadway e mostra, entre tantas coisas, que é possível ter uma autoestima saudável apesar de não ter um corpo no padrão estabelecido socialmente.
  2. Resultados de quem aprendeu a se amar –

Bom é não fumar, beber só pelo paladar, comer de tudo que for bem natural
E só fazer muito amor que amor não faz mal…

Melhor ainda é o barato interior o que dá maior satisfação…” Joyce[32].

[1] Psicólogo canadense, mundialmente conhecido por seus livros e textos sobre autoestima. O texto foi extraído do livro “Honrado o eu”, de 1983.

[2] Conforme o “Dicionário Aurélio Básico da Língua Portuguesa”, edição de 2002.

[3] Dicionário de Psicologia da American Psychological Association (APA), de 2010.

[4] O pragmatismo, segundo Marta Rizo García, é uma corrente filosófica idealista e subjetiva que considera a verdade a partir do ponto de vista da utilidade social. A validade de uma ideia é medida por suas consequências. Esta corrente se afasta das abstrações, das soluções verbais, da retórica e dos sistemas fechados absolutos, e se dirige à ação, em direção aos feitos concretos. Para James a comunicação na vida cotidiana é, sem dúvida, um feito concreto, observável, e suscetível de ser analisado.

[5] Em seu livro chamado “Psychology: The Briefer Course”, de 1892.

[6] Tarefa de vida que requer que se desenvolvam visões, valores e interesses próprios em lugar de simplesmente refletir os dos pais ou outras pessoas.

[7] Psicoterapia é o nome dado para os tratamentos terapêuticos que usam os meios da Psicologia, e não físicos ou fisiológicos.

[8] Psicologia Cognitiva, grosso modo, é uma abordagem psicológica que enfoca em processos mentais relacionados à aprendizagem e ao conhecimento, e a maneira como a mente organiza as experiências.

[9] Ambiente é todo conjunto de eventos que afetam e são afetados pelo comportamento das pessoas ou organismos.

[10] Reforço é sempre uma consequência de um comportamento que resulta no aumento de sua probabilidade de ocorrência. No caso do reforço positivo, esse aumento na probabilidade de ocorrência do comportamento ocorre devido à adição de um estímulo reforçador. Envolve a apresentação de um estímulo agradável após um comportamento desejado e isso aumenta a frequência do comportamento de quem foi reforçado. Quando damos atenção e elogios a uma criança que lê um texto e ela se esforça para aprender a ler cada vez melhor é um caso de reforçamento positivo.

[11] Punição positiva envolve a apresentação de uma consequência desagradável após a realização de um comportamento não desejado, o que diminui a frequência desse comportamento. A punição negativa envolve a remoção de um evento agradável após a realização de um comportamento não desejado e isso diminui a frequência do comportamento.

[12] Fernando Pessoa (1888-1935) foi um poeta e escritor português. É considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa e da poesia universal. Ele escrevia como se fosse vários personagens (heterônimos) com características psicológicas particulares. Foi um poeta erudito e genial.

[13] Ramo da Filosofia que trata de questões sobre como devemos viver e, portanto, sobre a natureza de certo e errado, bem e mal, dever, obrigação e outros conceitos associados a isso.

[14] Do livro “Modificação de comportamento – o que é e como fazer”, de 2009. Sempre quando for citado esses autores o texto refere-se a este livro.

[15] Filogênese trata-se da história evolutiva daquelas características fisiológicas e anatômicas das espécies, as quais foram selecionadas na história de interação entre os nossos ancestrais e o ambiente. Assim, trata-se daquelas características geneticamente transmitidas ao indivíduo e que participarão da multideterminação do comportamento.

[16] Ontogênese é um dos fatores determinantes do comportamento. Pode ser definido como história de vida de um indivíduo ou conjunto de experiências passadas por aquele indivíduo. Nível de variação e seleção responsável pelos repertórios comportamentais específicos de cada indivíduo.

[17] John B. Watson (1878-1958) nasceu em família pobre nos Estados Unidos e teve uma infância triste. Seu pai era alcoolista e saia com muitas mulheres e deixou a família quando ele era adolescente. Sua mãe era muito religiosa. Segundo sua biografia ele foi um jovem rebelde e violento, mas foi um aluno brilhante. Ele renunciou a seu cargo de professor e pesquisador devido ao caso amoroso que manteve com sua assistente de pesquisa Rosalie. Fez então uma carreira publicitária e continuou a escrever livros de Psicologia. Após a morte precoce de Rosalie, aos 37 anos, ele tornou-se recluso. Watson fez várias descobertas, mas a mais importante foi que ele provou que as emoções humanas são suscetíveis ao condicionamento clássico.

[18] No livro chamado “Psychiatric Genetics” dos pesquisadores  Kenneth S. Kendler & Lindon  Eaves, de 2005.

[19] É diretor do departamento de Genética da Universidade da Virgínia.

[20] Clinton Richard Dawkins (1941) é zoólogo, etólogo, evolucionista e popular escritor de divulgação científica britânico, natural do Quênia, além de ex-professor da Universidade de Oxford. Dawkins é conhecido principalmente pela sua visão evolucionista centrada no gene, exposta em seu livroO Gene Egoísta”. Desde então escreveu outros livros sobre evolução e apareceu em vários programas de televisão e rádio para falar de temas como biologia evolutiva, criacionismo e religião. Dawkins também é famoso por sua defesa e divulgação de correntes como o ateísmo e o ceticismo. A citação foi extraída do livro chamado “Gene egoísta”, de 1976.

[21] Lucrécio (c. 98-55 a.C.) era um poeta latino. O texto foi extraído do livro chamado “Atribuição”, de 80 a.C.

[22] Milton Nascimento (26/10/1942) é um cantor e compositor brasileiro, reconhecido mundialmente como um dos mais influentes e talentosos cantores e compositores da Música Popular Brasileira. Mineiro de coração, tornou-se conhecido nacionalmente, quando a canção “Travessia”, composta por ele e Fernando Brant, ocupou a segunda posição no Festival Internacional da Canção, de 1967. Também conhecido pelo apelido de Bituca, nasceu no Rio de Janeiro, filho de Maria Nascimento, uma empregada doméstica muito humilde, que foi mãe solteira. Tentou criar Milton, o registrou e o levou para a casa dos patrões, mas foi demitida e viu que não poderia criá-lo tamanha miséria a qual vivia. Sofrendo muito, entregou o filho para um casal rico criar. Milton, então, foi adotado. Sua mãe adotiva, Líliam Silva Campos, era professora de música. O pai adotivo, Josino Campos, era dono de uma estação de rádio. Mudou-se para Três Pontas, em Minas Gerais, antes dos dois anos e aos treze anos já cantava em festas e bailes da cidade. (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Milton_Nascimento). O trecho da música acima se chama “Caçador de Mim”.

[23] Os termos reforçadores e reforços serão por vezes utilizados neste livro como sinônimos.

[24] Maria Ruth dos Santos Escobar tornou-se Ruth Escobar, atriz de destaque e uma das mais importantes produtoras culturais do Brasil, notável personalidade do teatro brasileiro e empreendedora de muitos projetos culturais especialmente comprometidos com a vanguarda artística.

[25] Resiliência é a capacidade de passar por dificuldades, adversidades, riscos significativos e situações estressantes e conseguir se restabelecer, se recuperar, se adaptar física e emocionalmente.

[26] Victor Hugo (1802-1885) foi escritor, poeta e dramaturgo francês. A partir de 1849, Victor Hugo dedicou sua obra à política, à religião e à filosofia humana e social. Reformista, desejava mudar a sociedade.

[27] Eduardo Aguilar Kubli é psicólogo mexicano, com vários livros publicados na área do relacionamento humano.

[28] Do livro chamado “Questões recentes da análise comportamental, de 1991.

[29] Repertório social é o conjunto de respostas ou de comportamentos que se relacionam com o desempenho no contexto social.

[30] Charles Spencer Chaplin (1889-1970) foi ator, cineasta, dançarino, diretor e produtor inglês. Também conhecido por “Carlitos”. Charles nasceu em Londres, Inglaterra. Seu pai era vocalista e ator e sua mãe, era cantora e atriz. Seus pais se separam antes de Charles completar três anos. Seu pai era alcoolista e tinha pouco contato com o filho. Morreu de cirrose hepática em 1901. Sua mãe foi internada em um asilo e Chaplin foi levado para uma casa de trabalho e depois transferido para uma escola de crianças pobres. Foi o mais famoso artista cinematográfico da era do cinema mudo. Ficou notabilizado por suas mímicas e comédias do gênero pastelão. O personagem que mais marcou sua carreira foi “O Vagabundo” (The Tramp), um andarilho pobretão com as maneiras refinadas e a dignidade de um cavalheiro, vestido com um casaco esgarçado, calças e sapatos desgastados e mais largos que o seu número, um chapéu coco, uma bengala e seu marcante bigode. (Fonte: http://www.e-biografias.net/charles_chaplin/). O texto acima chama-se “Quando me amei de verdade”.

[31] Informações adquiridas no site: http://www.cinepop.com.br/filmes/hairspray.htm.

[32] Joyce Silveira Moreno, conhecida apenas como Joyce, nasceu no Rio de Janeiro. Ela é cantora, compositora e instrumentista brasileira da MPB, conhecida internacionalmente. O trecho da música acima chama-se “Monsieur Binot”.

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